O motor Gurgel!

Gurgel era um homem além do seu tempo. Criador do motor mais econômico dos econômicos do mercado da época e de hoje. Chega a fazer 13 Km por litro na cidade e, pasmem, 23 Km por litro na estrada com velocidade de 80 Km por hora. Um recorde difícil de ser batido. Uma moto de quatro rodas? Talvez.

Gurgel enfrentou mundos e submundos para tocar seu projeto. Estranhas foram as ênfases que as revistas especializadas faziam na época contra o projeto tupiniquim (genuinamente brasileiro). A concorrência não recebia o mesmo tratamento. Eles destacavam pouco a economia e escrachavam o conforto e detalhes que com o tempo e experiência seriam sanados.

                             Mas o assunto é o motor que equipava o Cena, ou o BR 800.

O motor Gurgel!

O motor acima era, ou ainda é, o que equipava o BR 800. Uma inovação pelo menos para a indústria brasileira. Então, vejamos como se deu isso.

“Quando eu pensei no Cena pela primeira vez, eu tinha certeza que ele iria introduzir um novo conceito tecnológico, pois só assim conseguiria chegar ao sucesso. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o Ford T, ou o com o Fusca. Por isso, demos prioridade aos aspectos tecnológicos do carro” Afirmou Gurgel sobre seu motor de fabricação inédita.

 Primeira novidade: onde estão as correias? Embora esse sistema sem correias tenha sido muito criticado  (e realmente era ruim) foi uma grande novidade  na mecânica nacional. Mas logo a Gurgel voltou ao sistema tradicional de correia “tocando” o alternador. É um motor único no mundo, como se fosse um motor de fusca cortado ao meio. Ou seja um motor com dois cilindros opostos (confira na imagem do motor) com cilindrada de 0.7 ou 0.9. Este motor é refrigerado a água e podia ter até 32 cv de potência. Um motor evidentemente urbano. Foi batizado com o sugestivo nome de Enertron e era fundido em alumínio, outra visão futurista de Gurgel. Este motor também possuía ignição controlada por uma central eletrônica parecida com com os modelos Citroen da época. É certo que não foi um conjunto eficiente. Mas o que se procurava na época era economia, e neste aspecto o motor Gurgel derrubou todas as outras montadoras. Amado por uns (colecionadores), odiado por outros (mecânicos), esta inovação seguiu o estilo brasileiro de tratar seus gênios inventores: “Esqueçam a tecnologia evolutiva!” O restante do texto deste post, e o vídeo que se segue, dão uma ideia do que aconteceu no final da história da fábrica e do motor Gurgel!

Amaral Gurgel era um visionário que acreditava que tudo deveria estar em seus lugares, cumprindo suas missões. Ele também pesava assim da natureza e por isso jamais acreditou no Proálcool como fonte de energia. Suas afirmações eram que o solo deveria produzir alimentos e não combustíveis. Faz sentido, mas não deram ouvidos ao empresário. Por isso ele resolveu criar uma carro com um motor como o da foto que foi chamado na época de motor econômico nacional, um tiro no pé das grandes fábricas de automóveis que estavam em crise.

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