Não, caro leitor, não é uma informação de primeira mão. Mesmo porque esse carro já existiu e alguns raros modelos ainda circulam por nossas ruas. Alguns leitores mais vividos irão se lembar de uma propaganda de vida curta que foi ao ar no final  dos anos oitenta. “Entra em Cena o primeiro carro totalmente brasileiro…” dizia o bordão da propaganda. Marketing caro, apresentado nos intervalos do Jornal Nacional, mas uma sensação que se espalhou pelo Brasil. Era o ano do lançamento pelo governo do preço único de 7 mil reais para o chamado carro popular. Provavelmente foi um acordo entre montadoras e governo, algo como uma redução do preço até os 7 mil e redução de impostos cedidos pelas autoridades. Foi uma grande ideia, diga-se.

Por que BR 800 e não Cena?

Por que BR 800 e não Cena?

 Mas eis que entra em Cena o Cena, um automóvel equipado pelo primeiro motor totalmente nacional, compacto, e fabricado em larga escala por um fábrica nacional, a Gurgel. Um carro realmente fabricado para o povo, enquanto o restante da indústria automobilística apenas adaptava para transformar seus carros em um 1.0. Já o Cena fazia incríveis 25 km por litro e representava exatamente  um carro urbano com seus 110 km por hora de velocidade máxima. Uma obra prima brasileira.

Mas também entrou em “cena” duas situações surpreendentes que transformaram as vendas do carro da Gurgel em um grande fracasso. A primeira foi a coincidência do Nome Cena com o sobrenome do Aírton, o Sena, ou melhor escrevendo: Senna, com dois “n”. O fato gerou um certo desconforto e a mudança do nome foi uma prova disso, talvez decidido nas barras da justiça. O curioso foi a possibilidade levantada de mudar o nome para “Tião”, que representaria o verdadeira realidade popular brasileira.

Então, optou-se pelo nome BR 800, um nome que faz alusão ao nosso país, ou “coisa nossa”, e também a sua potência que era de 800 cc, ou um 0.8, como são conhecidas as referências de potências hoje em dia.

Além desse desgaste por trocar o nome já propagado pelo Brasil, e substituir por um nome sem uma sonoridade comercial, ainda surgiu o questionamento das grande fábricas sobre o BR 800 e seu preço mais do que popular: 6 mil reais ou menos. Seria o fim do programa brasileiro do carro popular. As fábricas ameaçaram não participar e assim a Gurgel foi obrigada a equiparar seu preço com os populares “nacionais” já existentes. Obviamente que o carro da Gurgel ficou inviável. Como concorrer com outros que ofereciam conforto já existente em seus modelos? Somente com um preço bem menor.

Hoje a Gurgel não existe mais; seu mentor e dono já faleceu. Mas vale a pena pesquisar sobre esta que foi a única fábrica que tentou produzir automóveis genuinamente brasileiros.

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